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1 leitor escolheu Seção, sessão ou cessão. Sai em 26/09.
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Têm, vêm e veem: o acento que o plural cobra na prova
Ter e vir ganham circunflexo no plural, contém vira contêm, e veem, do verbo ver, ficou sem acento desde 2009, conforme o VOLP.
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O aviso do cursinho com os acentos marcados
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Vêem, com acento, foi a grafia do aviso: "Os candidatos vêem o gabarito às seis da tarde." Um cursinho preparatório mandou a frase aos alunos na véspera da prova, e ela trazia um acento que a ortografia oficial retirou em 2009. Eles veem, do verbo ver, se escreve sem acento nenhum.
Duas linhas abaixo, o mesmo aviso dizia: "Os fiscais vem às sete para abrir as salas." Aqui o erro corria no sentido contrário, porque faltava o sinal. Eles vêm, do verbo vir, leva circunflexo, e só o singular ele vem fica sem marca. Dois deslizes num aviso de quatro linhas, os dois no plural da terceira pessoa.
A terceira pessoa do plural (a forma que concorda com eles, elas e vocês) é o ponto em que o acento de ter, vir e ver mais escapa. No singular, tem e vem são palavras curtas, sem marca. No plural, a pronúncia quase não muda, e o acento vira a única pista, na página, de que o sujeito está no plural.
A banca de concurso conhece a armadilha. Monta uma frase com o sujeito comprido, afastado do verbo, e tira o acento: "As propostas que chegaram ao conselho no último semestre tem prazo curto." Quem lê correndo não liga propostas ao verbo e aceita tem no singular.
Os derivados complicam o quadro. Conter, manter, deter, obter e convir seguem ter e vir, mas trocam de acento conforme o número. Ele contém, com agudo; eles contêm, com circunflexo. Rótulo de alimento, contrato e edital trazem as duas formas na mesma página.
Ver entrou na lista por outra porta. Até 2008, o plural se escrevia vêem, com circunflexo e dois ee. O Acordo Ortográfico de 1990, em vigor no Brasil desde janeiro de 2009, cortou o acento desse hiato. O VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, a lista oficial de grafias da Academia Brasileira de Letras) registra veem desde a edição de 2009.
Quem aprendeu a escrever antes da reforma põe o acento em vêem por hábito. Quem aprendeu depois às vezes estica a regra nova e tira o sinal de têm e vêm, que continuam acentuados.
A primeira seção põe cada verbo do aviso ao lado da forma correta. A segunda mostra por que dois acentos ficaram e um caiu, e a terceira traz três perguntas para decidir na hora de escrever.
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I A Dúvida do Dia
Um chapéu que só o plural usa
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O singular, o plural e o hiato que perdeu o acento.
Tem e têm soam iguais na fala de quase todo o Brasil. Ele tem uma prova amanhã; eles têm uma prova amanhã. O ouvido não separa as duas frases, e o circunflexo ficou na escrita para marcar a concordância que a voz deixa escapar.
Vir segue o mesmo desenho. Ele vem à aula de sábado; eles vêm à aula de sábado. O circunflexo aparece só com sujeito no plural e com o verbo no presente do indicativo (o tempo que descreve o que acontece agora ou sempre).
Ver pertence a outra família. O plural do presente de ver é veem, com dois ee, porque a sílaba tônica ve encontra a terminação em. A palavra tem duas sílabas, ve e em, e forma um hiato (duas vogais vizinhas que ficam em sílabas separadas).
Vale pôr as três formas lado a lado: eles têm, de ter; eles vêm, de vir; eles veem, de ver. São três verbos, três grafias, e só duas levam acento.
O singular de ver também tem sinal próprio: ele vê, com circunflexo, porque é monossílabo tônico terminado em e fechado, como lê e crê. No plural, o sinal some e a vogal dobra. Quem escreve eles vê erra a concordância; quem escreve eles vêem erra a ortografia.
Crer, ler e dar (este no subjuntivo, que eles deem) seguem ver: creem, leem, deem. Todos perderam o circunflexo em 2009. A lista cabe numa linha e resolve quase toda dúvida desse grupo.
Os derivados de ter e vir são a parte que mais derruba candidato. Ele contém, ele mantém, ele obtém e ele convém levam acento agudo, porque viraram oxítonas terminadas em em, a mesma regra que acentua armazém, porém e também. No plural, o agudo dá lugar ao circunflexo: eles contêm, mantêm, obtêm, convêm.
Aplicado ao aviso do cursinho, o conserto é pequeno. Os candidatos veem o gabarito, sem acento. Os fiscais vêm às sete, com circunflexo. São dois toques de teclado, e os dois mudam a leitura de quem corrige.
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II A Regra
Dois acentos ficaram e um caiu
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Ter e vir, na terceira pessoa do plural do presente do indicativo, levam circunflexo: eles têm, eles vêm. Os derivados trocam o agudo do singular pelo circunflexo do plural: contém e contêm, convém e convêm. Ver, crer, ler e dar formam o plural em eem sem acento: veem, creem, leem, deem.
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O circunflexo de têm e vêm é um acento diferencial (sinal que existe só para separar duas palavras de grafia igual). A reforma de 1990 derrubou a maior parte desses sinais, e manteve o de ter e vir porque ali o acento carrega informação gramatical: diz se o sujeito é singular ou plural.
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"Prescindem de acento circunflexo as formas verbais paroxítonas que contêm um e tónico oral fechado em hiato com a terminação -em da 3.ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo."
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, Base IX, 1990
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O trecho explica a queda em veem. Prescindir quer dizer dispensar, e conjuntivo é o nome que Portugal dá ao subjuntivo. A terminação eem forma hiato, e a norma passou a dispensar o circunflexo nas formas verbais desse tipo. O próprio texto do Acordo usa contêm, com circunflexo, na mesma frase que tira o acento de veem.
O VOLP da Academia Brasileira de Letras, na 5ª edição, publicada em 2009, registra veem, leem, creem e deem sem sinal. É a referência que as bancas brasileiras citam nos editais quando falam em ortografia oficial.
Os derivados de ter formam uma família grande: conter, deter, manter, obter, reter, ater e abster. No singular, todos levam agudo: contém, detém, mantém, obtém, retém. No plural, todos levam circunflexo: contêm, detêm, mantêm, obtêm, retêm.
Os derivados de vir obedecem ao mesmo par. Convir, provir, advir e sobrevir fazem convém, provém, advém e sobrevém no singular, e convêm, provêm, advêm e sobrevêm no plural. A água provém da serra; os recursos provêm do fundo municipal.
O singular de ter e vir fica sem acento porque monossílabo tônico terminado em em não recebe sinal: tem, vem, sem, bem, trem. Quando a palavra ganha um prefixo e passa a ter duas sílabas, vira oxítona terminada em em, e a regra das oxítonas pede o agudo. Daí a diferença entre tem e contém.
Uma forma nunca existiu no plural de vir: vêem com dois ee. Antes de 2009, vêem era ver, e vir sempre fez vêm, com um e só. Hoje, vêem não serve para nenhum dos dois verbos, e têem também não tem registro no VOLP.
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