In partnership with

Português do Dia   Português do Dia
ED 069
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

A edição de hoje foi escolhida pela maioria dos leitores na votação de ontem.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Prefiro sair a ficar, sem mais nem do que

Preferir já carrega a escolha. Com dois infinitivos, a ligação é a preposição a, sem acento e sem reforço.

Folha de prova com prefiro mais riscado em vermelho.

Prefiro sair a ficar, sem reforço

▼
 

N a prova discursiva, o candidato escreveu: “Prefiro mais estudar em casa do que ir para a biblioteca.” A banca marcou dois erros numa linha de onze palavras.

O primeiro erro está no mais. O verbo preferir já significa pôr uma opção acima da outra, e a escala vem embutida no próprio verbo. Somar mais ou muito repete a ideia, e a gramática chama a repetição de pleonasmo vicioso (redundância sem efeito de estilo).

O segundo erro está no do que. A comparação com do que pertence a adjetivos e advérbios: mais alto do que, melhor do que, antes do que. Preferir pede outra ligação, a preposição a, e quem prefere sair prefere sair a ficar.

A frase do candidato soa natural porque a fala brasileira mistura duas construções. Uma é gostar mais de X do que de Y, que aceita mais e do que sem problema. A outra é preferir X a Y, que dispensa os dois. Na conversa, as duas se fundem e nasce o prefiro mais do que.

Com substantivo, o reparo costuma saltar aos olhos. Com dois verbos no infinitivo (a forma do verbo terminada em r, como sair, ficar, estudar), o ouvido estranha mais o a, e o candidato corre para o do que. Prefiro ler a assistir parece incompleto para quem nunca viu a forma escrita.

As bancas conhecem o estranhamento e exploram justamente esse ponto. A questão traz quatro frases com preferir e dois infinitivos, e só uma segue a regência padrão. As outras três carregam mais, muito, do que ou um acento grave (o sinal da crase) fora do lugar.

O conserto da frase do candidato tem duas versões. Prefiro estudar em casa a ir para a biblioteca, se a ideia é manter o verbo. Gosto mais de estudar em casa do que de ir para a biblioteca, se ele quer manter a comparação.

Logo abaixo, de onde vem a regência do verbo, a forma com dois infinitivos e o teste para resolver a questão da prova.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Yes, that Arnold Schwarzenegger.

He has a newsletter on beehiiv. So do Codie Sanchez, Jay Shetty, David Begnaud, Colin & Samir, and Joanna Stern.

They could publish just about anywhere. They chose beehiiv to build a direct connection with the people who want to hear from them most. And you can do the same, whether you’re world-famous or just at the start of your plan for world domination.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A Dúvida do Dia

Preferir já traz o mais dentro de si

A resposta de ontem

Qual lei de 1998 fixou a escrita de incisos e alíneas?

A Lei Complementar 95, de 26 de fevereiro de 1998, sancionada por Fernando Henrique Cardoso. Ela regula a elaboração, a redação e a consolidação das leis, e o Decreto 9.191, de 2017, detalha a aplicação no Executivo federal, inclusive a pontuação dos incisos e das alíneas.

Por que preferir dispensa o mais e o do que.

Preferir significa escolher uma opção acima de outra. Por esse motivo, o verbo dispensa mais, muito e do que.

O verbo veio do latim praeferre (levar à frente, pôr adiante). O prefixo prae, que quer dizer diante, já marcava a posição de vantagem, e o português herdou a ideia inteira.

Quem prefere já põe uma opção à frente da outra. Dizer prefiro mais equivale a dizer ponho mais à frente, uma dose dupla da mesma ideia. A gramática normativa trata a soma como pleonasmo, igual a subir para cima.

Celso Pedro Luft, no Dicionário Prático de Regência Verbal (1987), registra preferir como verbo de dois complementos: o escolhido sem preposição e o preterido com a preposição a. A obra virou consulta de banca por listar a regência verbo por verbo.

Luft lecionou por décadas no Rio Grande do Sul e escreveu também a Moderna Gramática Brasileira. No verbete de preferir, ele anota o uso do que como corrente na fala e fora da norma padrão.

Napoleão Mendes de Almeida, no Dicionário de Questões Vernáculas (1981), condena o prefiro mais e o prefiro do que com o mesmo argumento: a comparação já mora no verbo.

O do que entra por contágio. Expressões vizinhas, como gostar mais, querer mais e achar melhor, pedem do que, e o falante transfere a ligação para o verbo que não a aceita.

Com infinitivos, a troca fica ainda mais tentadora. Prefiro sair do que ficar soa como prefiro mais sair do que ficar, e a cabeça completa a comparação sozinha, mesmo sem o mais escrito.

O adjetivo da família segue a mesma regra. Preferível também pede a: é preferível sair a ficar. Mais preferível e preferível do que caem no mesmo erro do verbo.

O substantivo preferência muda a preposição: dar preferência a, ter preferência por. O reforço com mais continua sobrando, porque a palavra já traz a ideia de vantagem.

A fala do dia a dia segue outro caminho, e ninguém perde a conversa por dizer prefiro mais. A cobrança existe no texto formal e na prova, onde a banca adota a norma padrão registrada nos dicionários de regência.

Para quem quer ênfase, a língua oferece saídas próprias. Prefiro, sem dúvida, sair a ficar e prefiro de longe sair a ficar reforçam a escolha com uma expressão à parte, sem somar grau ao verbo.

 
 

II  A Regra

Infinitivo, preposição a e nenhuma crase

Use preferir + infinitivo + a + infinitivo: prefiro sair a ficar. Sem mais, sem muito, sem do que e sem crase antes do verbo.

A forma padrão tem quatro peças em ordem fixa: o verbo preferir conjugado, o primeiro infinitivo, a preposição a e o segundo infinitivo. Prefiro sair a ficar. Preferimos esperar a remarcar. Ela preferiu calar a discutir.

O primeiro infinitivo é a opção escolhida e funciona como objeto direto (complemento ligado ao verbo sem preposição). O segundo é a opção preterida e entra como objeto indireto (complemento ligado por preposição), puxado pelo a.

Diante de verbo, o a nunca leva acento grave. A crase (fusão da preposição a com o artigo a) só acontece diante de palavra feminina que aceita artigo, e infinitivo não aceita artigo feminino. Prefiro sair à ficar soma um erro de crase ao de regência.

Os complementos do segundo verbo não mexem na regra. Em prefiro estudar em casa a ir para a biblioteca, o a liga os dois infinitivos, e o ir para a biblioteca segue com a preposição própria.

Quando os infinitivos crescem, a frase pede leitura atenta. O candidato prefere revisar o texto com calma a entregar a prova antes do tempo. O a aparece depois de sete palavras, e a banca aposta numa leitura apressada.

A ordem pode inverter sem trocar a regência. A ficar, prefiro sair soa literário, mas está correto. Na prova, a ordem direta evita a dúvida.

Os tempos verbais seguem livres: preferia sair a ficar, preferiu sair a ficar, preferirá sair a ficar. A preposição acompanha qualquer conjugação do verbo.

O reforço proibido vale em qualquer tempo e posição. Preferia muito mais sair, prefiro antes sair e preferimos mais esperar repetem a ideia de vantagem e recebem a mesma marcação.

O advérbio antes, sozinho, tem saída própria. Antes sair do que ficar, sem o verbo preferir, é construção aceita: ali antes compara as opções e pede do que. A confusão nasce quando o falante cola antes e preferir na mesma frase.

Com orações iniciadas por que, a preposição continua no lugar. Prefiro que você saia a que fique: o a fica colado no segundo que, e a frase mantém a regência do verbo.

A forma com do que aparece com frequência em música, jornal e publicidade. O uso amplo não altera o gabarito da prova, que segue o registro dos dicionários de regência.

 

Quem banca a edição de hoje

Silver Has Beaten Gold Before. It's Doing It Again.

From 1974 to 1987, silver more than doubled gold's returns. After 2008, it beat gold five-fold in three years. Since March 2020, silver is up 402% against gold's 186%. Our research team's free playbook explains why, and how the team would position.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Teste

Quatro frases, uma regência certa

A questão sobre preferir costuma vir em dois formatos, reescrita ou assinale a correta. Três passos resolvem os dois.

1. Corte qualquer mais, muito ou antes colado ao verbo preferir. Se a frase continua dizendo a mesma escolha, o reforço sobrava.

2. Procure a ligação entre as duas opções. Do que ou ao invés de ligando os infinitivos marcam erro; a preposição a marca acerto.

3. Olhe o acento. À antes de infinitivo derruba a alternativa, mesmo com o resto da frase correto.

Agora a questão no formato de concurso. Assinale a frase escrita conforme a norma padrão: (A) Prefiro mais caminhar a correr. (B) Prefiro caminhar do que correr. (C) Prefiro caminhar à correr. (D) Prefiro caminhar a correr.

A alternativa A traz o reforço mais, cortado no primeiro passo. A B usa do que, barrada no segundo. A C põe acento grave antes de infinitivo, eliminada no terceiro.

A D é o gabarito: preferir conjugado, caminhar como opção escolhida, a sem acento, correr como opção preterida.

O teste também funciona de trás para a frente. Monte a frase certa primeiro, prefiro caminhar a correr, e compare com cada alternativa: a que bater letra por letra com a sua versão leva o ponto, e as outras mostram onde a banca escondeu o desvio.

No formato de reescrita, a banca entrega uma frase torta e pede a versão padrão. Muitos candidatos preferem mais estudar de manhã do que à noite vira muitos candidatos preferem estudar de manhã a estudar à noite.

Repare no à de à noite. Ali a crase fica, porque noite é palavra feminina e forma uma locução adverbial (expressão que indica tempo). O a antes de estudar segue sem acento, porque vem antes de verbo.

Outra reescrita aceita corta o segundo infinitivo: muitos candidatos preferem estudar de manhã, e não à noite. A banca costuma aceitar as duas versões quando o enunciado pede apenas correção.

No seu próprio texto, a busca do editor resolve em segundos. Procure por prefer e confira cada ocorrência com os três passos, sem trocar nada no automático.

Confira antes de entregar a redação: nenhum mais ou muito antes de preferir,
a preposição a entre os dois infinitivos,
nenhum acento grave antes do verbo.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Em que cidade gaúcha nasceu Celso Pedro Luft, o autor do Dicionário Prático de Regência Verbal?

 
 
Quiz da edição

No texto, o Dicionário Prático de Regência Verbal, de Celso Pedro Luft, usado como referência pelas bancas, foi publicado em que ano?

A1975
B1989
C1987
D1981

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

✍️✍️✍️✍️✍️  ótima ✍️✍️✍️✍️  boa ✍️✍️✍️  ok ✍️✍️  ruim ✍️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 15/10, 15h30

A Tampouco ou tão pouco →
B Há dois anos sem atrás →
C Sujeito composto depois do verbo →
D Descriminar ou discriminar →
 
Recomendação de Newsletter
Queda e Triunfo

Queda e Triunfo

Às 09:09 na sua caixa: uma história real de queda brutal e volta improvável, contada do jeito que merecia ser contada.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Escreva com segurança hoje.

Português do Dia

PORTUGUÊS DO DIA

Uma questão por dia, resolvida antes da prova

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter