De onde vem o l, de onde vem o u.
Mal é advérbio e se opõe a bem. Mau é adjetivo e se opõe a bom. A grafia muda conforme a palavra ao lado.
As duas formas vêm do latim. Mal descende de male, advérbio (palavra que modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio) que os romanos usavam para dizer de modo ruim. Mau descende de malus, adjetivo (palavra que qualifica um substantivo) com o sentido de ruim ou perverso.
Durante séculos, a pronúncia separou as duas. Em Portugal, o l final segue marcado na fala, e mal soa diferente de mau para quem escuta com atenção.
No Brasil, o l em fim de sílaba passou a soar como u na maior parte do país. Os linguistas chamam o fenômeno de vocalização (quando uma consoante ganha som de vogal). Com ela, Brasil e Brasiu, mal e mau, saem da boca do mesmo jeito.
O ouvido, então, não decide. Sobra a função da palavra na frase, e a função depende da vizinha.
Mal acompanha verbo. Ele diz como a ação aconteceu: dormiu mal, escreveu mal, o relatório foi mal escrito. Também modifica adjetivo e particípio: mal pago, mal informado, mal feito.
Mau acompanha substantivo. Ele diz como a pessoa ou o objeto é: mau humor, mau caráter, mau negócio, mau aluno. No feminino, vira má: má sorte, má vontade, má-fé.
O feminino ajuda a enxergar a diferença. Adjetivo varia em gênero e número: mau, má, maus, más. Advérbio não varia nunca. Ninguém escreve as provas foram más corrigidas, e o detalhe denuncia o advérbio.
Mal ainda tem duas outras funções. Como substantivo, ele se opõe a o bem: o mal do século, um mal necessário, os males da cidade. Nesse caso, leva artigo e aceita plural.
Como conjunção (palavra que liga duas orações), mal significa assim que: mal chegou, o telefone tocou. Ali também se escreve com l, e a troca por logo que confirma a leitura.
Mau só tem um emprego. Ele é sempre adjetivo, colado a um substantivo dito ou subentendido. Na frase antiga os maus serão punidos, a palavra subentende pessoas ou homens.
As gramáticas escolares põem mal na lista dos advérbios de modo e mau na lista dos adjetivos, cada um no seu capítulo. A separação ajuda a decorar, mas na hora da prova ninguém consulta o índice.
O resumo cabe em duas linhas. Se a palavra conta como a ação foi feita, é mal. Se conta como alguém ou algo é, é mau.
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