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50% escolheram Iminente ou eminente. Sai em 24/09.
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Intervir conjuga como vir, e a ata que escreveu interviu errou
O verbo desce de intervenire, acompanha vir em todos os tempos, e a banca cobra interveio e intervieram onde a ata escreveu interviu.
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A ata aberta na linha do verbo
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A ata da reunião registrou esta linha: "O gerente interviu na discussão e encerrou o ponto." Quem digitou acertou a grafia de gerente, acertou a vírgula da oração seguinte e mesmo assim entregou um verbo quebrado. A forma que a norma pede é interveio.
Intervir circula em ata de assembleia, em notícia de jornal, em relatório de auditoria e em depoimento tomado por escrito. O verbo carrega ar de linguagem formal, e é justamente em texto cuidadoso que a forma torta passa despercebida por quem revisa.
A origem do desvio está numa troca de família. Quem escreve interviu conjuga o verbo como se ele descendesse de ver, e repete a terminação de viu. Intervir descende de vir, e vir faz veio no pretérito perfeito.
O latim separa as duas raízes sem margem para dúvida. Intervir veio de intervenire (vir no meio, pôr-se entre), formado pela preposição inter (entre) somada ao verbo venire (vir). Ver veio de videre (enxergar, perceber pelos olhos). São verbos de troncos distintos, e nenhuma forma de um pertence ao outro.
A troca sobrevive porque viu é uma das formas verbais mais frequentes da língua falada. O ouvido, acostumado à terminação curta, empresta o som ao verbo vizinho, e interviu sai pronto da boca antes que a mão corrija no teclado.
Na prova, a cobrança chega disfarçada de frase de jornal. A banca monta uma manchete verossímil, troca interveio por interviu ou intervieram por interviram, e pede a alternativa correta. Quem decorou a conjugação de vir resolve em segundos; quem tratou intervir como verbo solto fica sem apoio.
No documento assinado, a conta muda de tamanho. Ata aprovada em assembleia, notícia publicada e parecer protocolado circulam como registro oficial, e consertar o verbo depois da publicação custa errata, republicação e explicação para quem já leu.
A dúvida de hoje põe a linha da ata ao lado da forma que a norma pede. Depois vem a regra que prende intervir à conjugação de vir, com os tempos que a banca gosta de cobrar e a família inteira de verbos que obedece ao mesmo modelo, e o teste de três movimentos que resolve a forma na hora de escrever.
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I A Dúvida do Dia
A ata escreveu interviu, a banca pede interveio
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A linha da ata, o verbo trocado de família e a forma que a norma pede.
A linha da ata é esta: "O gerente interviu na discussão e encerrou o ponto." O verbo intervir aparece ali no pretérito perfeito do indicativo, terceira pessoa do singular, e a forma correta nesse lugar é interveio.
Intervir pertence à família de vir e repete a conjugação dele com o prefixo inter grudado na frente. Vir faz eu vim, ele veio, eles vieram. Intervir faz eu intervim, ele interveio, eles intervieram. A estrutura é a mesma palavra, com quatro letras a mais no começo.
Ver segue outro caminho e produz formas muito diferentes. Vi, viste, viu, vimos, vistes, viram. Quem escreve interviu está montando um verbo inexistente, uma mistura do prefixo de intervir com a terminação do pretérito de ver, e essa palavra não consta em nenhuma gramática da língua portuguesa.
O plural expõe a diferença de forma ainda mais clara. A norma pede os fiscais intervieram no pregão, com a mesma terminação de eles vieram. A forma interviram, que aparece em notícia e em ata, copia viram, o pretérito de ver, e cai fora da norma pela mesma razão que interviu.
A notícia de jornal costuma repetir o desvio na mesma frase em que acerta tudo o mais. Constrói o período com sujeito claro, adjunto bem colocado e pontuação limpa, e escorrega na única palavra que sustenta a ação. O leitor entende a frase, e é esse entendimento que permite ao erro sobreviver sem correção.
O presente do indicativo antecipa o problema para quem presta atenção. Intervir faz eu intervenho, ele intervém, eles intervêm, com o mesmo acento circunflexo de eles vêm. Ver faz eu vejo, ele vê, eles veem. Quem escreve ele intervê já estava no caminho de escrever ele interviu.
A família de vir tem outros membros que caem na mesma armadilha. Provir faz ele proveio, convir faz ele conveio, advir faz ele adveio, sobrevir faz ele sobreveio, desavir faz eles se desavieram. Todos repetem o modelo de veio, e todos aparecem em texto formal com a terminação de ver colada no lugar.
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II A Regra
Prefixo grudado, conjugação de vir inteira
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Intervir é vir com o prefixo inter, e conjuga exatamente como vir em todos os tempos, modos e pessoas. Pretérito perfeito: intervim, intervieste, interveio, interviemos, interviestes, intervieram. Presente: intervenho, intervéns, intervém, intervimos, intervindes, intervêm. Futuro do subjuntivo: quando eu intervier, quando ele intervier, quando eles intervierem. Nenhuma forma de ver entra nessa lista.
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A regra vale para a família inteira dos derivados de vir, e a lista cabe na memória: advir, convir, desavir, intervir, provir, sobrevir. Todos formam o pretérito em eio no singular e em ieram no plural, todos fazem o futuro do subjuntivo em ier, e todos mantêm o particípio irregular vindo, como em o fiscal tinha intervindo, o prazo tinha advindo.
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"Os verbos derivados de vir conjugam-se pelo modelo do primitivo, conservando-lhe as irregularidades."
Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa, 1999
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A formulação resolve o caso pelo lado da derivação. Conservar as irregularidades do primitivo quer dizer que o derivado herda cada forma torta do verbo de origem, sem nenhuma adaptação. Por esse motivo intervir carrega o ei de veio, o vind do particípio e o circunflexo de intervêm.
O futuro do subjuntivo é o tempo onde a diferença entre as duas famílias fica mais útil. De ver sai quando eu vir, quando ele vir, quando eles virem. De vir sai quando eu vier, quando ele vier, quando eles vierem. De intervir sai quando ele intervier, quando eles intervierem, e a frase quando o juiz intervir no processo troca a família e entrega a forma de ver.
O pretérito imperfeito do indicativo repete a lógica sem tropeço. Vir faz vinha, intervir faz intervinha, e a forma o gerente intervia, que às vezes aparece em rascunho de ata, copia o imperfeito de ver, que é via. A terminação inha pertence à família de vir, a terminação ia pertence à de ver.
O mais que perfeito e o imperfeito do subjuntivo completam o quadro. Intervir faz ele interviera e se ele interviesse, com o mesmo desenho de viera e viesse. Ver faz vira e visse. A forma se ele intervisse, comum em texto jurídico apressado, nasce da família errada.
Uma coincidência isolada alimenta a confusão e merece atenção. A forma vimos serve ao presente do indicativo de vir, como em nós vimos aqui todo mês, e ao pretérito perfeito de ver, como em nós vimos o documento ontem. Em intervir, nós intervimos carrega a mesma ambiguidade, e só o contexto da frase separa o presente do passado.
A conjugação também ajuda a resolver o sentido da palavra. Intervir significa entrar no meio de uma situação para influenciar o rumo dela, e o próprio prefixo inter entrega a imagem do corpo que se coloca entre duas partes. Quem lembra dessa origem já tem meio caminho andado para escolher a terminação certa.
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