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Implica atraso, nunca implica em atraso
No sentido de acarretar, implicar entra direto no complemento e recusa a preposição em, e a banca cobra a forma que todo mundo fala no trabalho.
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Consequência entra sem preposição
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Nove e dez da manhã, sala de reunião com projetor ligado, e o cronograma da obra aparece com uma barra vermelha atravessando o mês. O engenheiro pede a palavra, aponta a barra e resume a situação em uma frase: a troca do fornecedor implica em atraso de duas semanas.
Ninguém na mesa levanta a mão para falar de regência. O time discute prazo, multa e a conversa com o cliente, a reunião termina no horário, e a frase cumpre o serviço sem levantar suspeita nenhuma.
Escrita, ela fica registrada. Vai parar na ata que circula por email, no relatório que sobe para a diretoria, no parecer que o jurídico anexa ao contrato e na questão de regência verbal que vale ponto no espelho de correção.
Implicar não tem um sentido só. Quando ele quer dizer acarretar, ter como consequência, o verbo encosta direto no complemento e não aceita preposição nenhuma no meio. Quando ele muda de sentido, a preposição volta e passa a ser obrigatória.
A fala mistura as duas camadas sem esforço. Implica em custo, implica em risco e implica em retrabalho circulam em qualquer reunião de empresa, e o ouvido brasileiro aceita as três sem piscar.
A norma escrita separa as camadas com clareza. O sentido de consequência entra colado ao verbo, o sentido de envolver alguém em alguma coisa pede a preposição em, e o sentido de provocar alguém pede a preposição com.
O verbo é o mesmo nas três, e o complemento é quem denuncia qual delas está em jogo. Trocar uma pela outra muda o que a frase diz, e não só a forma como ela soa.
Quem escreve a ata não repara na preposição. O corretor de prova repara, e a banca aproveita: regência verbal é item de edital em quase todo concurso, e implicar é o exemplo preferido porque ele mora na reunião de todo mundo.
A questão de hoje começa pelas três linhas em que a dúvida aparece lado a lado. Depois vem a regra que separa os três sentidos, o caso do pronome que denuncia a construção, e o teste que resolve antes de você mandar a mensagem.
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I A Dúvida do Dia
O verbo que a reunião preposiciona
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Três linhas com o mesmo verbo, e o sentido da frase decide qual delas passa.
A dúvida aparece em três linhas quase iguais: a troca implica atraso, a troca implica em atraso, implicaram o gerente na fraude. As três saem de conversa de verdade, de ata de reunião e de relatório de diretoria, e a maioria dos leitores passa pelas três sem parar.
Duas delas passam na norma escrita, e a que fica de fora é justamente a mais falada. A diferença não está no verbo nem no tamanho da frase: está no sentido que o verbo carrega ali dentro.
A troca implica atraso é a linha da norma quando o assunto é consequência. Implicar significa acarretar, o complemento é o resultado, e o verbo encosta nele sem intermediário nenhum.
A troca implica em atraso é a linha que a fala consagrou e a prova recusa. Ali o sentido continua sendo o de consequência, e nesse sentido a preposição em não tem função nenhuma na frase.
Implicaram o gerente na fraude é outro verbo dentro da mesma grafia. O sentido passou a ser envolver alguém em alguma coisa, e nesse caso a preposição em aparece por direito, ligando a pessoa ao que ela foi acusada de fazer.
A origem do escorregão está na fala. Implica em custo é o que se diz na reunião, no grupo do trabalho e na apresentação de slides, e a linha falada entra na linha escrita inteira, com a preposição já colada no caminho.
O sentido de envolver ainda ajuda a esconder a peça. Como uma das acepções de implicar pede em de verdade, o falante generaliza a preposição para as outras, e a construção errada ganha um álibi que soa técnico.
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Consequência entra direto no verbo implicar. O complemento é o efeito que vem depois, o resultado que a decisão produz, e ele chega sem preposição mesmo quando a conversa cola a letra antes de você digitar.
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O pronome é onde a diferença aparece por escrito. A consequência vira o ou a, como em a demora implica multa e a demora implica-a. O envolvimento pede nele ou nisso, como em implicaram o sócio nisso.
A banca conhece a troca e trabalha em cima dela. O primeiro disfarce é a preposição posta no sentido de consequência, com alternativas do tipo a medida implicará em corte de gastos, que copiam a fala do noticiário.
O segundo disfarce é o sentido invertido. A questão traz implicar com no lugar de acarretar, como em a decisão implicou com o setor, e quem lê rápido aceita a frase sem sentir a troca.
O terceiro disfarce é a distância. O complemento aparece a seis ou sete palavras do verbo, dentro de uma oração intercalada, e a preposição se instala no vão sem que o olho pegue.
Quem escreve a ata segue a vida sem consequência. Quem presta concurso descobre o preço na hora da correção: a alternativa marcada perde o ponto, e o gabarito publicado não muda por recurso.
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II A Regra
Acarretar entra sem preposição
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Implicar no sentido de acarretar é transitivo direto: a troca implica atraso. No sentido de envolver, é transitivo direto e indireto: implicaram o gerente na fraude. No sentido de provocar, pede com: ele implica com o colega.
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A regra tem uma decisão só, e ela não depende do tamanho da frase. Olha-se para o sentido do verbo naquela linha, porque o sentido é o que decide se a preposição entra, qual delas entra, e se ela fica de fora.
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"Implicar, na acepção de acarretar, ter como consequência, é transitivo direto e não admite a preposição em: a medida implica aumento de despesa."
Domingos Paschoal Cegalla, Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, 1996
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A gramática registra a diferença como regência verbal, não como estilo. A troca implica atraso e a troca implica em atraso têm a mesma intenção na reunião, e só uma das duas passa no texto que vai ser corrigido.
A primeira situação é a da consequência, e ela é a mais comum na vida de qualquer profissional: a mudança implica custo, a greve implica prejuízo, a decisão implica revisão do contrato. Nenhuma delas pede preposição.
A segunda situação é a do envolvimento, e ela pede a preposição em toda vez: implicaram o diretor no esquema, o depoimento implicou dois funcionários na irregularidade. A pessoa vem direto, e o que ela fez chega com em.
A terceira situação é a da implicância, e ela pede com: ele implica com o colega de sala, a chefe implica com o horário do time. Aqui não existe consequência nenhuma, só o ato de provocar.
A quarta situação é a do pronome reflexivo, e ela nasce da segunda. Implicar-se pede em: o sócio implicou-se na negociação suspeita, e a preposição continua ligando quem se envolveu ao que ele fez.
A quinta situação usa outro verbo e resolve o problema de uma vez. Acarretar, causar e provocar entram direto no complemento, e servem de substituto exato quando a dúvida trava a frase no meio.
Com sujeito de coisa, o sentido quase sempre é o de consequência. A greve, a chuva, o decreto e a alta do dólar não implicam com ninguém nem envolvem ninguém em nada: eles acarretam efeito.
A hipercorreção nasce da metade da regra. Quem aprende que implicar às vezes pede em passa a preposicionar tudo, e escreve o atraso implicou em multa, com um em que a consequência nunca teve.
Um registro fecha a lista, e ele explica a força do desvio. Implica em atraso é linha corrente na fala brasileira, tratada como uso consagrado na conversa, e a prova cobra a outra camada, a da norma escrita.
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III O Teste
Troque implicar por acarretar
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1. Ache o sentido do verbo naquela linha. Se ele quer dizer acarretar, ter como resultado, o complemento entra direto. Se ele quer dizer envolver, entra a preposição em. Se ele quer dizer provocar, entra com.
2. Troque implicar por acarretar e leia a frase de novo. Se a frase continuar de pé, como em a troca acarreta atraso, o verbo é transitivo direto e a preposição em não tem lugar ali.
3. Se o teste falhar, procure a pessoa envolvida. Quando existe alguém sendo ligado a um fato, como em implicaram o gerente na fraude, o em é obrigatório e a frase está correta.
Na prova, o item costuma chegar assim: assinale a alternativa em que a regência verbal está de acordo com a norma. Entre as opções aparecem a reforma implica em corte e a reforma implica corte, cercadas por duas frases longas.
Aplicado às duas, o teste resolve em segundos. A reforma acarreta corte fica de pé, então o verbo entra direto no complemento, e a alternativa com a preposição perde o ponto sem que você precise ler o período inteiro.
O teste funciona porque acarretar não aceita preposição em nenhum contexto. Ele só encaixa onde o sentido é de consequência, e o encaixe bem-sucedido já prova que a preposição sobrava na linha original.
Longe da prova, o teste serve na mesma velocidade. Antes de mandar a mensagem que começa com a mudança implica em retrabalho, troque a peça: a mudança acarreta retrabalho, e o em cai sozinho da frase reescrita.
Nenhuma das três construções é mais educada que a outra, e a escolha entre implica atraso e implicaram o gerente não é questão de formalidade. O desvio nasce só quando a preposição do envolvimento invade a linha da consequência.
O mesmo teste resolve a família toda. Onde acarretar encaixa, use o verbo direto; onde só envolver encaixa, use em; onde só provocar encaixa, use com, e nenhuma das três invade o lugar da outra.
Um cuidado fecha o teste, e ele é o mais fácil de deixar passar. O complemento pode estar longe do verbo, dentro de uma oração intercalada, e a preposição continua proibida mesmo com seis palavras entre os dois.
Um segundo cuidado vale para o futuro do verbo. Implicará em cortes é o desvio mais frequente em texto de jornal e de relatório, porque a forma longa disfarça a colagem e o olho passa por cima.
A troca implica atraso e implicaram o gerente na fraude estão as duas na norma, e a linha que cai na correção é a que pôs a preposição do envolvimento no lugar da consequência.
"Na última mensagem em que você explicou o efeito de uma decisão, o verbo entrou direto no complemento, ou a preposição em entrou junto sem que você percebesse?"
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Guia Português do Dia · Novo
A Folha Deixa de Ser Branca
O Esqueleto de Cinco Parágrafos que põe a redação de pé em uma hora.
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Quiz da edição
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A edição cita um dicionário de dificuldades da língua portuguesa pra sustentar que implicar, no sentido de acarretar, não aceita a preposição em. De qual autor é essa obra?
Resultado da última edição: 0% acertaram.
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