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50% escolheram Têm, vêm e veem. Sai em 25/09.
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Iminente ou eminente: o laudo que trocou o risco pela fama
Iminente vem de imminere, pender sobre; eminente vem de eminere, sobressair. A banca troca as duas e mede a sua leitura.
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O laudo aberto na palavra do risco
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O laudo da vistoria trazia esta frase no primeiro parágrafo: "Há risco eminente de deslizamento na encosta." Quem redigiu mediu a inclinação do terreno, fotografou as rachaduras do muro e acertou cada termo técnico da engenharia. Errou a palavra que dava a ordem de evacuar. O perigo que está para acontecer é iminente, com i.
Eminente, com e, qualifica quem se destaca. Um jurista eminente, um médico eminente, uma cientista eminente. O laudo, lido ao pé da letra, anunciava um risco famoso, respeitado pelos colegas, digno de homenagem. A frase continua compreensível, e por essa razão o deslize atravessa revisão, carimbo e protocolo sem que ninguém pare nele.
As duas palavras formam um par de parônimos (palavras de som e grafia parecidos, com sentidos diferentes). A pronúncia corrente no Brasil aproxima o e átono do i, e na fala as duas saem quase iguais. A diferença sobrevive só na escrita, justamente onde o documento fica guardado.
Iminente aparece em texto de alto peso. Está no laudo de interdição, no boletim meteorológico, na petição que pede liminar, na notícia sobre a barragem. Eminente frequenta outro território: discurso de posse, convite de formatura, apresentação de palestrante, obituário de professor.
A banca de concurso conhece a aproximação sonora e monta a armadilha em cima dela. Escreve uma frase de noticiário com o termo trocado e pergunta se o sentido foi preservado. Quem lê pelo som marca que sim. Quem lê pela letra percebe que a frase passou a dizer outra afirmação.
No documento oficial, o custo cresce. Um laudo com risco eminente pode ser contestado por quem quer adiar a obra, e uma petição com perigo eminente entrega à parte contrária um argumento gratuito sobre a precisão do pedido. A palavra certa economiza a discussão.
A troca também corre no sentido inverso. Aparece "o iminente professor" em convite de colação de grau, o que transforma o homenageado em alguém prestes a chegar, ou prestes a cair sobre a plateia.
A dúvida de hoje põe a frase do laudo diante da forma correta. Em seguida vem a regra que separa as duas pela origem latina, com a família de palavras que obedece à mesma lógica, e o teste de três passos que resolve a escolha na hora de redigir.
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I A Dúvida do Dia
O laudo pedia iminente e escreveu eminente
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A frase do laudo, a letra trocada e o sentido que a norma pede.
A frase do laudo é esta: "Há risco eminente de deslizamento na encosta." O engenheiro queria dizer que a terra podia descer a qualquer hora. A palavra que carrega esse sentido é iminente, adjetivo que qualifica o que está prestes a ocorrer.
Com a letra trocada, a frase muda de assunto. Eminente significa elevado, ilustre, que sobressai. Aplicado a risco, produz um sentido estranho, algo como um risco de grande destaque, e deixa de afirmar a proximidade do perigo, que era a informação que justificava a interdição.
Os dicionários da língua registram as duas entradas separadas, sem relação de sinônimo. Iminente leva a nota de algo que ameaça acontecer em breve. Eminente leva a nota de altura, física ou figurada: um ponto eminente do terreno, uma pessoa eminente na profissão.
O substantivo acompanha o adjetivo. Iminência é a qualidade do que está por vir, como em na iminência do temporal. Eminência é a elevação, e virou também tratamento dado a cardeais da Igreja Católica: Sua Eminência. Quem escreve na eminência da enchente põe um cardeal na beira do rio.
A expressão eminência parda confirma o sentido de destaque. O apelido foi dado ao frade capuchinho François Leclerc du Tremblay, o Padre José, conselheiro do cardeal Richelieu na França do século XVII. O cardeal era Sua Eminência, vestia vermelho; o frade, de hábito pardo, mandava por trás dele. Até hoje a expressão nomeia quem decide sem aparecer.
A lei brasileira usa iminente nos trechos que tratam de urgência. O artigo 25 do Código Penal, de 1940, define legítima defesa como a reação a "injusta agressão, atual ou iminente". A agressão iminente é a que está a ponto de começar, e o texto legal só funciona com o i. Um réu que alegasse reagir a uma agressão eminente estaria descrevendo um ataque célebre, e o juiz teria de adivinhar o que ele quis dizer.
O advérbio segue o mesmo trilho. Iminentemente é raro; eminentemente é comum e quer dizer em grau elevado, sobretudo: uma decisão eminentemente técnica, uma obra eminentemente política. Esse uso ajuda a fixar que eminente fala de grau e de altura, nunca de tempo.
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II A Regra
Uma letra para o tempo, outra para a altura
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Iminente vem do latim imminere (pender sobre, ameaçar de cima) e diz respeito ao tempo: o que está para acontecer. Eminente vem do latim eminere (elevar-se, sobressair) e diz respeito à posição: o que se destaca. Risco, perigo, ameaça, colapso e ataque pedem iminente. Jurista, cientista, professor, autor e cargo pedem eminente.
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Os dois verbos latinos partilham a raiz minere, ligada à ideia de projetar-se, e se separam pelo prefixo. In, na forma im, indica movimento para cima de algo ou para dentro. Ex, reduzido a e, indica movimento para fora. O que é iminente se projeta sobre você; o que é eminente se projeta para fora do grupo, acima dos outros.
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"No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário ulterior indenização, se houver dano."
Constituição da República Federativa do Brasil, art. 5º, inciso XXV, 1988
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O inciso mostra a palavra trabalhando no texto de maior hierarquia do país. O perigo público iminente autoriza a autoridade a ocupar um imóvel privado antes que o dano aconteça. Com eminente no lugar, o dispositivo falaria de um perigo notável, e a urgência que justifica a medida desapareceria da frase.
O par de prefixos in e ex organiza outros parônimos da língua, e conhecer a família reforça a escolha. Imigrar é entrar num país; emigrar é sair dele. Imergir é mergulhar; emergir é vir à tona. Imissão e emissão também formam par: imissão na posse é entrar nela por ordem judicial, emissão de títulos é pôr papéis para fora, no mercado. Em todos esses pares, i aponta para dentro ou para cima de algo, e aponta para fora.
Uma associação ajuda na memória. Iminente começa com i, a letra de instante: o que está a um instante de ocorrer. Eminente começa com e, a letra de elevado e de excelência. Tempo curto fica com i, destaque fica com e.
A pronúncia não resolve a questão, e a gramática normativa não exige distinção sonora. Na fala de boa parte do Brasil, o e inicial átono soa como i. Por essa razão a escolha precisa ser feita pelo sentido da frase, nunca pelo ouvido. Ler a frase devagar, perguntando o que o adjetivo afirma sobre o substantivo, vale mais que qualquer tentativa de caprichar na pronúncia.
A colocação também dá pista. Iminente aparece quase sempre ligado a substantivos de acontecimento: queda, chegada, colapso, ruptura, vitória, derrota. Eminente aparece ligado a pessoas ou a posições: colega, mestre, cargo, lugar. Um substantivo que descreve um fato pede i; um substantivo que descreve alguém pede e.
Há um uso de eminente que foge das pessoas e confirma a regra da altura. Na geografia e na anatomia, eminência nomeia uma saliência: uma eminência do terreno é um morro que se ergue na planície, e os livros de anatomia chamam de eminência a parte de um osso que se projeta. Em todos os casos, a palavra com e descreve algo que se levanta acima do resto.
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