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Esqueci o nome, esqueci-me do nome
O verbo esquecer recusa a preposição quando anda sozinho e exige o de quando anda colado a um pronome.
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O pronome decide se o de entra na frase
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Uma pessoa nova entra na sala às nove da manhã, aperta a mão de sete colegas e diz o próprio nome uma vez só. Vinte minutos depois, na hora de apresentá-la ao diretor, a frase sai inteira e torta: esqueci do nome dela.
Ninguém na sala repara na preposição. O constrangimento fica todo com o esquecimento, a conversa segue no assunto seguinte, e a linha cumpre o serviço sem levantar suspeita de gramática nenhuma.
Escrita, ela perde a cobertura da pressa. Vai parar no email que pede desculpa pelo atraso, na ata que registra a reunião, na mensagem que remarca a consulta e na questão de regência verbal que vale ponto no espelho de correção.
O verbo esquecer tem duas construções na norma escrita, e as duas estão certas. Uma anda sozinha e recusa preposição. A outra anda colada a um pronome e exige o de. A terceira construção, a mais digitada de todas, é a mistura das duas.
A mistura nasce de uma peça que some no caminho. Na fala brasileira, o pronome me pesa quase nada na pronúncia, e a preposição que ele trouxe para a frase fica sozinha na linha, sem nada que a sustente.
O mesmo desenho organiza o verbo lembrar, e ele repete a armadilha inteira: lembrei o nome, lembrei-me do nome, lembrei do nome. Duas dessas linhas passam em qualquer correção, e a terceira é a que sai no automático.
A regra tem uma peça só para conferir, e ela cabe em uma pergunta de dois segundos: existe pronome colado no verbo? A resposta decide se a preposição entra na frase ou se ela sai junto com o pronome que nunca foi escrito.
A questão de hoje começa pelo formato em que a dúvida aparece na tela. Depois vem a regra que cabe em uma linha, o caso do esquecer que significa deixar em algum lugar, e o teste que resolve antes de você apertar enviar.
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I A Dúvida do Dia
Duas formas certas e uma no automático
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Três linhas com o mesmo verbo, e o pronome decide qual delas passa.
A dúvida aparece na tela com três linhas quase iguais: esqueci o nome, esqueci-me do nome, esqueci do nome. As três circulam em mensagem de trabalho, em prova e em conversa de corredor, e a maioria dos leitores passa pelas três sem parar.
A norma escrita reconhece duas delas, e não pelo mesmo motivo. Cada uma pertence a uma construção diferente do mesmo verbo, e a peça que separa as duas é um pronome de duas letras.
Esqueci o nome traz o verbo sozinho, sem pronome nenhum, e o complemento encosta direto nele: esqueci a senha do banco, esqueci o número da sala, esqueci o compromisso de sexta.
Esqueci-me do nome traz o verbo acompanhado do pronome, e o complemento entra com de: esqueci-me da senha do banco, esqueci-me do número da sala, esqueci-me do compromisso de sexta.
Esqueci do nome fica entre as duas, e o meio não existe na norma escrita. A preposição chegou junto com o pronome e continuou na frase depois que o pronome saiu de cena.
A origem do escorregão está na fala. O pronome átono me pesa quase nada na pronúncia, e quem diz me esqueci do prazo encurta a linha para esqueci do prazo sem notar a peça que ficou para trás.
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O de não pertence ao verbo esquecer: ele pertence ao pronome. Onde não existe pronome escrito, não existe preposição com o que se segurar.
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O mesmo par organiza o verbo lembrar, e ele cai com a mesma frequência: lembrei o rosto dele, lembrei-me do rosto dele, e no meio a linha que a correção risca.
Existe ainda um terceiro uso do verbo, e ele nem entra na dúvida. Quando esquecer significa deixar em algum lugar, o complemento é sempre direto: esqueci o guarda-chuva no táxi, esqueci a pasta na sala de reunião.
A banca conhece os três casos e trabalha em cima deles. O primeiro disfarce é a distância, com uma oração inteira entre o pronome e o complemento, como em esqueci-me, no meio da mudança, do documento que o cartório pediu.
O segundo disfarce é o pronome deslocado para a frente do verbo. Me esqueci do prazo aparece na alternativa com o pronome na abertura da frase, e ele continua ali, sustentando o de que vem depois.
O terceiro disfarce é a oração no lugar do substantivo. Esqueci que a entrega mudou de dia e esqueci-me de que a entrega mudou de dia estão as duas na norma, e a alternativa costuma misturar as peças de uma na outra.
Fora da sala de prova, a troca não cobra nada de quem escreve. Ela aparece no email que justifica o atraso, no chamado aberto no suporte e no recado colado na geladeira.
Quem lê o recado da geladeira não repara na preposição. Quem presta concurso descobre o preço na hora da correção: a alternativa marcada perde o ponto, e o gabarito publicado não muda por recurso.
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II A Regra
O pronome que puxa a preposição
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Esquecer sem pronome é transitivo direto e não aceita preposição: esqueci o nome. Esquecer com pronome é transitivo indireto e exige o de: esqueci-me do nome. As duas peças entram juntas, ou não entra nenhuma das duas.
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A regra tem uma decisão só, e ela não depende do tamanho do período. Procura-se o pronome colado ao verbo e escreve-se a preposição que ele pede, porque quem manda na construção é o pronome, nunca o tom da frase.
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"Lembrar e esquecer, quando pronominais, exigem a preposição de: lembrei-me do teu aniversário, esqueci-me do compromisso."
Domingos Paschoal Cegalla, Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, 2008
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A gramática registra a diferença como regência, não como estilo. Esquecer e esquecer-se são o mesmo verbo em duas construções, e cada construção pede um tipo de complemento.
A primeira construção é a direta, e ela dispensa qualquer peça no meio do caminho: esqueci a senha do banco, esqueci o nome do prédio, esqueci a reunião das dez.
A prova da construção direta é a voz passiva. O nome foi esquecido e a senha foi esquecida funcionam porque o complemento é objeto direto, e só objeto direto vira sujeito da passiva.
A segunda construção é a pronominal, e ela traz duas peças que andam sempre juntas: o pronome ao lado do verbo e a preposição de antes do complemento.
O pronome muda com a pessoa da frase: eu me esqueci, você se esqueceu, nós nos esquecemos, eles se esqueceram. Em todas elas, a preposição de continua obrigatória diante do complemento.
Duas ordens vizinhas mostram o par funcionando lado a lado. Não me esqueça traz o pronome como complemento direto do verbo sozinho, e não se esqueça de mim traz o pronome da construção pronominal com a preposição logo atrás.
A terceira situação é a do complemento em forma de oração, e ela aceita as duas construções. Esqueci que a reunião mudou de horário usa a direta, e esqueci-me de que a reunião mudou de horário usa a pronominal.
A quarta situação é a do verbo no infinitivo, e ela é a que mais aparece na correspondência de trabalho. Esqueci-me de avisar o cliente traz as duas peças no lugar, e a versão sem pronome pede um substantivo no complemento: esqueci o aviso ao cliente.
A quinta situação não fala de memória, e ela é a mais frequente na vida prática. Quando esquecer significa deixar em algum lugar, a construção é sempre a direta: esqueci o celular na mesa da cozinha, esqueci o cartão na maquininha do posto.
A hipercorreção nasce da metade da regra. Quem aprende que a forma pronominal pede de instala a preposição em toda ocorrência do verbo, e escreve esqueci do celular na mesa.
Um registro fecha a lista, e ele explica a força do desvio. Esqueci do prazo é forma corrente na fala brasileira, registrada nas gramáticas como uso coloquial, e a prova cobra a outra camada, a da norma escrita.
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III O Teste
Tape o pronome e leia de novo
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1. Procure o pronome colado ao verbo: me, te, se, nos. Ele pode vir antes ou depois do verbo, mas aparece escrito na linha ou não existe.
2. Se o pronome estiver lá, escreva o de antes do complemento. Se não estiver, corte a preposição e encoste o complemento no verbo.
3. Confirme pela voz passiva. Se o complemento aceita virar sujeito, como em o nome foi esquecido, a frase é da construção direta e não tem lugar para preposição nenhuma.
Na prova, o item costuma chegar assim: assinale a alternativa em que a regência do verbo esquecer está de acordo com a norma. Entre as opções aparecem esqueci do prazo e esqueci-me do prazo, cercadas por duas frases longas.
Aplicado às duas, o teste resolve em segundos. A primeira carrega uma preposição sem dono, a segunda tem as duas peças no lugar, e a leitura do período inteiro não é necessária para marcar a alternativa.
O teste funciona porque ele olha para a construção, e não para o sentido do verbo. Nenhuma reescrita é necessária: acha-se o pronome, ajusta-se a preposição e a informação da frase continua exatamente igual.
Ele também dispensa a memória da nomenclatura. Não é preciso lembrar a classificação do complemento para acertar a linha: basta ver se o pronome está escrito ali.
Longe da prova, o teste serve na mesma velocidade. Antes de mandar o email que começa com esqueci de responder a sua mensagem, procure o pronome na linha: ele não está lá, e ou a preposição sai, ou o me que faltava entra.
Nenhuma das duas construções é mais correta que a outra, e a escolha entre elas não muda a informação da frase. O desvio nasce só quando as peças de uma aparecem dentro da outra.
O mesmo teste resolve o verbo lembrar, que cai com a mesma frequência na correção: lembrei o compromisso, lembrei-me do compromisso, e a linha do meio continua fora da norma escrita.
Um cuidado fecha o teste, e ele é o mais fácil de esquecer. O pronome pode estar longe do complemento, dentro de uma oração intercalada, e a preposição continua obrigatória mesmo com cinco palavras entre elas.
Um segundo cuidado vale para a fala. Ninguém precisa corrigir o esqueci do nome dito no corredor: a norma escrita cobra a peça no texto, e o texto é o lugar em que ela fica registrada.
Esqueci o nome e esqueci-me do nome estão as duas na norma, e a linha que cai na correção é a que perdeu o pronome no caminho e ficou segurando a preposição sozinha.
"No último email em que você pediu desculpa por um esquecimento, o pronome estava escrito na linha, ou só a preposição sobrou?"
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Guia Português do Dia · Novo
A Folha Deixa de Ser Branca
O Esqueleto de Cinco Parágrafos que põe a redação de pé em uma hora.
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Quiz da edição
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Segundo o texto, o que decide se a preposição 'de' entra na frase com o verbo esquecer?
Resultado da última edição: 50% acertaram.
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