De onde vem anexo e por que ele muda de forma.
Anexo e incluso são adjetivos e acompanham o documento em gênero e número. Em anexo é locução adverbial (grupo de palavras com valor de advérbio) e fica sempre igual.
Anexo vem do latim annexus, particípio do verbo annectere (amarrar uma peça a outra). Desde a origem, a palavra descreve algo preso a outro objeto, e a gramática herdou essa ligação.
Na frase, anexo funciona como adjetivo (palavra que qualifica um substantivo). Por ser adjetivo, obedece às regras de pronto, novo ou assinado: muda de gênero e de número conforme o substantivo a que se refere.
O contrato anexo, a planilha anexa, os laudos anexos, as certidões anexas. As quatro formas estão nos dicionários, e cada uma carrega o gênero e o número do papel que acompanha.
Incluso faz o mesmo papel. A palavra vem de inclusus, particípio latino de includere (fechar dentro), e significa contido no envelope ou no processo. Segue incluso o recibo; seguem inclusas as notas fiscais.
Apenso, termo do vocabulário jurídico para o papel juntado a um processo, entra na mesma família. O laudo apenso, as perícias apensas: o adjetivo segue o documento do jeito que anexo segue.
Junto, quando qualifica o documento, também varia: seguem juntas as cópias autenticadas. Junto a, com preposição, vira locução e fica parada: as cópias seguem junto ao processo.
Em anexo funciona de outro jeito. A preposição em mais o substantivo anexo formam uma locução, e locução adverbial não tem gênero nem número. Segue em anexo a planilha, seguem em anexo os contratos: a locução fica parada.
Parte dos gramáticos tradicionais olhou a locução com desconfiança. Napoleão Mendes de Almeida, no Dicionário de Questões Vernáculas (1981), registrou reservas ao em anexo e preferiu o adjetivo concordando com o documento.
Domingos Paschoal Cegalla, no Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa (1996), aceita a forma e anota o uso consolidado em correspondência comercial e oficial. Hoje, a locução circula sem objeção nos manuais de redação de empresas e órgãos públicos.
A diferença prática fica no risco. Com o adjetivo, quem escreve precisa olhar o documento e acertar gênero e número. Com a locução, esse cuidado sai da frente, e só sobra a concordância do verbo.
O erro clássico mistura as duas soluções: em anexas, em anexos. A preposição em pede a locução invariável, então em anexos com s não existe na norma padrão.
Outra armadilha é deixar o adjetivo no masculino singular por hábito, como se fosse etiqueta fixa: segue anexo a procuração. A procuração é feminina, e o adjetivo precisa dizer anexa.
O hábito nasce do carimbo. Muitos setores usaram por décadas um carimbo com a palavra anexo impressa no masculino, e a forma fixa migrou do papel para o teclado sem passar pela gramática.
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