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ED 038
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A preposição que responder exige e a fala corta

Responder a pede a preposição sempre, e o complemento troca por lhe, nunca por o: a banca cobra as duas pontas no mesmo parágrafo de ofício.

Linha de email de oficio com a preposicao ao escrita a mao entre respondi e o.

A preposição que o chefe cobrou no email

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“Respondi o email do cliente ainda na sexta." Foi a frase que o chefe devolveu com um "ao" escrito à mão, em letra miúda, no vão entre respondi e o.

A informação chegou inteira ao leitor. A data estava certa, o verbo estava no tempo certo, o cliente era o cliente certo. O que o chefe marcou foi a preposição que a fala de escritório engole e que o texto de ofício é obrigado a escrever.

Responder não tem um complemento só, e aí começa a confusão. Quem responde, responde alguma coisa a alguém, e a língua separa os dois papéis com estruturas diferentes. A coisa dita entra direta no verbo, sem preposição: respondeu que o prazo havia vencido, respondeu uma grosseria, respondeu o necessário. O destinatário da resposta, seja pessoa, seja documento, entra com a preposição a: respondeu ao cliente, respondeu ao email, respondeu à notificação.

O email ocupa o papel de destinatário. Ninguém diz um email nem profere um email; o email chega à caixa e recebe uma resposta de volta. Por isso a forma de ofício é respondi ao email, e a versão sem preposição denuncia que o redator tratou o documento como se fosse a fala que ele mesmo emitiu.

A fala corrente derrubou essa preposição em quase todo verbo de comunicação, e responder foi o que caiu mais fundo. Respondi o cliente, respondi o chamado, respondi o questionário circulam em reunião sem que ninguém pisque. No documento assinado a conta chega, e chega duas vezes, porque o erro tem um irmão escondido na frase seguinte.

O irmão é o pronome. Verbo que pede preposição a não aceita o nem a como complemento; pede lhe. Quem escreve respondi ao email na linha de cima e, na linha de baixo, escreve que não conseguiu respondê-lo, desmonta a própria regência no espaço de duas frases. A banca gosta justamente desse par, porque ele separa quem decorou a preposição de quem entendeu a estrutura.

A dúvida de hoje monta quatro linhas de um ofício real, com os três usos do verbo misturados. Depois vem a regra que separa o conteúdo do destinatário, e o teste que resolve a regência sem abrir gramática.

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I  A Dúvida do Dia

Quatro linhas de ofício e a preposição que falta em uma

Um mesmo verbo, três papéis de complemento, três regências.

As linhas são estas: Respondi o email do cliente na sexta; Respondi ao email do cliente na sexta; O analista respondeu que o prazo havia vencido; O gerente responde pelo setor de compras. Três estão corretas, uma volta marcada, e o leitor apressado aposta na errada.

A segunda linha é a versão que nenhum corretor contesta. O complemento é o documento que recebeu a resposta, papel de destinatário, e o papel de destinatário pede a preposição a. Diante de email, palavra masculina com artigo, a preposição se funde ao artigo e vira ao.

A primeira linha tem exatamente o mesmo sentido e saiu sem a preposição. É a forma que todo mundo fala e que quase todo mundo escreve, porque o ouvido brasileiro não sente falta do a diante de um substantivo masculino. Respondi ao email do cliente na sexta seria a linha que o ofício pede.

A terceira linha está correta justamente por não ter preposição. O complemento ali não é destinatário, é o conteúdo da resposta: o que o analista disse foi que o prazo havia vencido. Conteúdo entra direto no verbo, e escrever que o analista respondeu a que o prazo havia vencido cria preposição sobrando onde ela não cabe.

A quarta linha traz o terceiro uso, o que menos aparece em prova e mais aparece em organograma. Responder por significa ser responsável, prestar contas, assumir uma área ou um ato. A preposição muda, o sentido muda, e o complemento deixa de ser resposta para ser encargo: responde pelo setor, responde pelos prejuízos, responde pelo inquérito.

O que decide a estrutura, então, não é o verbo isolado na linha. É o papel que o complemento exerce naquela frase específica. Conteúdo dito entra direto. Destinatário de resposta entra com a. Encargo assumido entra com por.

O deslize ganha força no texto de rotina porque a frase de resposta se repete dezenas de vezes no mesmo arquivo. Relatório de atendimento, ata de reunião e email de retorno são feitos de linhas que dizem quem respondeu o quê a quem. Quem erra a primeira ocorrência erra as outras trinta por coerência interna, e o revisor recebe o mesmo furo distribuído da abertura ao anexo.

Há o caminho que o redator experiente usa quando a preposição pesa na leitura: trocar o verbo. Dei retorno ao cliente, enviei resposta ao email, atendi o chamado resolvem a mesma ideia com regência mais simples. A troca vale no documento e não vale na prova, porque na prova a alternativa cobra o verbo que está no enunciado.

 
 

II  A Regra

Destinatário pede a preposição, conteúdo entra direto

Responder pede a preposição a quando o complemento é o destinatário da resposta, seja pessoa, seja documento: respondeu ao cliente, respondeu ao email, respondeu à notificação. Responder recebe o complemento direto, sem preposição, quando o complemento é o conteúdo dito em resposta: respondeu que não viria, respondeu uma desculpa. E responder pede por quando significa ser responsável: responde pelo setor.

A verificação tem dois movimentos. O primeiro é identificar o papel do complemento naquela linha, conteúdo ou destinatário. O segundo é conferir o pronome que substitui esse complemento nas frases seguintes, porque é ali que a regência escrita certa costuma desmoronar.

"Responder: transitivo direto, quando tem por objeto a resposta dada; transitivo indireto, com a preposição a, quando o objeto é a pessoa ou a coisa a que se responde."

Celso Pedro Luft, Dicionário Prático de Regência Verbal, 1987

A entrada do dicionário resolve a dúvida em uma linha, e o detalhe está na expressão objeto da resposta. A regência não pertence ao verbo, pertence ao papel que o complemento exerce na frase. Trocar o papel troca a estrutura, e o mesmo verbo passa a exigir outra construção sem mudar uma letra da grafia.

A construção completa do verbo tem os dois complementos ao mesmo tempo, e vale escrever por extenso porque a prova gosta dela: respondeu a verdade ao chefe. A verdade é o conteúdo, entra direto; ao chefe é o destinatário, entra com preposição. Quando a frase traz apenas um dos dois, quem escreve tem que saber qual sobrou.

A preposição traz junto a consequência de crase que a banca cobra em item separado. Diante de substantivo feminino com artigo, o a da preposição se funde ao artigo e vira à: respondeu à intimação, respondeu à pergunta da comissão, respondeu às três solicitações. Diante de masculino, a fusão produz ao, e diante de plural, aos.

O pronome é onde o erro se esconde melhor. O complemento indireto de responder se substitui por lhe e lhes: respondi ao email vira respondi-lhe, não respondi-o. A forma respondê-lo só existe quando o complemento é conteúdo, e conteúdo raramente cabe em pronome nessa posição, o que torna respondê-lo suspeito na quase totalidade das vezes em que aparece em ofício.

Um cuidado final separa o verbo de dois vizinhos de regência parecida. Atender admite as duas formas no uso culto, atender o telefone e atender ao pedido, e por isso não serve de modelo para responder. Replicar e retrucar seguem o padrão do destinatário com a preposição, replicou ao colega, e servem de paralelo seguro quando a dúvida aparece no meio da redação.

 

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III  O Teste

Troque o complemento por lhe, depois por isso

1. Substitua o complemento por lhe dentro da frase. Se respondi-lhe mantém o sentido da linha original, o complemento é destinatário e exige a preposição a escrita antes dele, com ao diante de masculino e à diante de feminino com artigo.

2. Não funcionando a primeira troca, substitua o complemento pelo demonstrativo isso. Se respondeu isso encaixa, o complemento é conteúdo da resposta e entra direto no verbo, sem preposição nenhuma, do mesmo jeito que entraria depois de disse.

3. Confirmado o destinatário, varra as frases vizinhas à procura do pronome o, a, os e as colado no verbo. Respondê-lo, respondi-a e não os respondi denunciam a regência errada mesmo quando a preposição da linha anterior foi escrita corretamente.

Na prova, o enunciado costuma chegar como parágrafo de ofício com dois usos do verbo, seguido do pedido para assinalar a alternativa em que a regência respeita a norma padrão. Entre as opções aparecem uma linha de email sem preposição, uma de conteúdo com preposição indevida e uma com respondê-lo no lugar de responder-lhe.

Aplicado às linhas da abertura, o teste resolve cada uma em segundos. Respondi-lhe funciona no lugar de respondi o email, logo a preposição era obrigatória na primeira linha e faltou. Respondeu isso funciona na terceira, logo o complemento é conteúdo e entra direto. Na quarta, nenhuma das duas trocas funciona, porque o verbo ali significa ser responsável e exige por.

Longe do gabarito, o mesmo raciocínio limpa o arquivo inteiro. O redator localiza cada ocorrência do verbo, aplica as duas trocas, corrige a regência, checa os pronomes das linhas vizinhas e decide se mantém o verbo ou troca por dei retorno a, que carrega a mesma ideia e dispensa a discussão.

A regência errada não atrapalha o entendimento da linha, e é por isso que ela sobrevive tanto tempo em documento oficial. Ela cobra o preço em outro lugar: o destinatário entende que o email foi respondido e percebe, na mesma linha, que o texto saiu de quem não domina a regra que o cargo pressupõe.

Das quatro linhas de abertura, a que voltou marcada foi a mais parecida com a fala de reunião, e a que passou sem preposição estava certa justamente porque o complemento era o conteúdo dito, o papel que quase ninguém separa do destinatário.

Confira antes de fechar o ofício: se o complemento de responder é conteúdo, destinatário ou encargo,
se o destinatário está precedido de a, ao, à, aos ou às,
se o pronome que substitui o destinatário é lhe ou lhes, e não o, a, os ou as.

"No último email de retorno que você escreveu, a preposição estava lá?"

 
 

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