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ED 034
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A placa do portão que foi repintada por nada

É proibido entrada e é proibida a entrada valem as duas, e o artigo antes do substantivo é que decide se o adjetivo concorda.

Placa metálica no portão de uma obra com o aviso de entrada proibida.

A placa que não precisava de correção

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“Assim está errado, entrada é feminino, o certo é proibida." Foi a frase que mandou repintar a placa do portão de um prédio em obras. A placa dizia É proibido entrada de pessoas não autorizadas, e não tinha erro nenhum.

A dúvida nasce de uma regra que quase ninguém aprendeu inteira. Expressões como é proibido, é necessário, é bom e é preciso funcionam de dois modos, e o que decide entre eles não é o gênero do substantivo. É a presença de um artigo ou de outro determinante na frente dele.

Sem determinante, a expressão fica invariável, cristalizada no masculino singular, porque o substantivo entra na frase como ideia geral, sem contorno. É proibido entrada. É necessário paciência. É bom cautela. Nenhuma dessas frases pede concordância, e todas estão dentro da norma padrão.

Com determinante, o quadro muda inteiro. O artigo delimita o substantivo, dá a ele contorno de sujeito específico, e o adjetivo passa a concordar em gênero e número. É proibida a entrada. É necessária a paciência que o caso exige. É boa a cautela do porteiro que confere o crachá.

A placa de prédio virou o cenário preferido da banca justamente porque o texto que circula na rua usa as duas formas. O candidato chega à prova com as duas na memória visual, sem saber por que uma leva a e a outra dispensa, e escolhe pelo que viu mais vezes no caminho de casa.

O item de concurso costuma cobrar a versão que parece errada. Ele apresenta É proibido entrada de menores desacompanhados e pergunta se a redação respeita a norma padrão, contando com o candidato que corrige por instinto de concordância e derruba uma frase que estava de pé.

A dúvida de hoje começa por três placas, uma de portão de obra, uma de piscina de condomínio e uma de galpão de indústria, com o mesmo aviso escrito de três jeitos. Depois vem a regra que separa a forma cristalizada da forma concordada, e o teste que resolve a escolha antes de a tinta secar.

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I  A Dúvida do Dia

Três placas, um aviso, e só uma repintura justificada

Duas formas legítimas do mesmo aviso, e um artigo que decide qual delas cabe.

As três placas são estas: É proibido entrada de pessoas não autorizadas, no portão da obra; É proibida a entrada de animais na área da piscina, no condomínio; É proibida entrada de veículos particulares, no galpão da indústria. As duas primeiras respeitam a norma. A terceira é a única que pede tinta nova.

O critério não tem relação com o tamanho do aviso, com o tipo de prédio nem com a formalidade do texto. O que governa a escolha é uma pergunta só: existe artigo, pronome ou numeral antes do substantivo que vem depois da expressão?

Na placa do portão da obra não existe. Entrada aparece nua, sem o a na frente, e nessa condição o substantivo não funciona como sujeito determinado. A expressão é proibido fica cristalizada no masculino singular e não olha para o gênero de entrada. A frase está correta, e repintá-la custou tinta e uma tarde de serviço.

Na placa da piscina o artigo aparece. A entrada de animais é um sujeito com contorno definido, delimitado pelo artigo feminino, e a partir daí o adjetivo obedece. Proibida concorda com entrada em gênero e número, e o texto do condomínio está tão correto quanto o da obra.

A placa do galpão é a que não fecha. Ela escreve proibida, como se houvesse artigo, mas o artigo não está lá. Entrada de veículos particulares chega sem determinante nenhum, e o adjetivo concordou com um sujeito que a frase não delimitou. Duas saídas consertam o aviso: escrever É proibido entrada de veículos particulares ou escrever É proibida a entrada de veículos particulares.

O erro da terceira placa é o mais comum dos três, porque ele nasce de meia regra bem aprendida. Quem escreveu sabia que adjetivo concorda com o substantivo a que se refere, aplicou a concordância e parou aí. A parte que faltou é que a concordância depende de o substantivo estar determinado, e o determinante é o que fica de fora quando o texto precisa caber na chapa.

A pressa do aviso curto agrava o quadro. Placa, etiqueta, cartaz de porta e aviso de sistema cortam artigo por economia de espaço, e o corte muda a estrutura da frase sem que ninguém perceba. Tira-se o a, o sujeito perde o contorno, e o adjetivo que ficou flexionado vira o único elemento fora do lugar.

A banca conhece a cena e monta o item em cima dela. Ela escreve um aviso plausível de repartição, tira ou põe o artigo e pergunta se a concordância foi respeitada. O candidato que memorizou apenas a forma com artigo marca erro onde não há, e o que memorizou apenas a forma sem artigo deixa passar a placa do galpão.

 
 

II  A Regra

O artigo é que abre a porta para a concordância

Sem determinante antes do substantivo, a expressão fica invariável no masculino singular: é proibido entrada, é necessário paciência, é bom cautela. Com artigo, pronome ou numeral antes do substantivo, o adjetivo concorda em gênero e número: é proibida a entrada, é necessária muita paciência, é boa aquela cautela.

A verificação tem dois movimentos. O primeiro é isolar o substantivo que vem depois da expressão. O segundo é olhar a palavra imediatamente à esquerda dele, e perguntar se ela determina o substantivo ou se o substantivo chega sozinho ao texto.

"As expressões é bom, é necessário, é proibido e outras semelhantes não variam quando o substantivo a que se referem vem empregado em sentido geral, sem determinante."

Celso Cunha e Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, 1985

A formulação dos gramáticos explica por que as duas placas corretas convivem no mesmo quarteirão. Uma trata da entrada como categoria, um tipo de ato que o prédio recusa. A outra trata da entrada como fato específico, aquele acesso, naquela área, por aqueles animais. As duas leituras existem em português, e cada uma pede uma forma.

O determinante não é só o artigo definido. Pronomes demonstrativos, possessivos e indefinidos cumprem a mesma função de delimitar, e todos ligam a concordância. É necessária muita atenção, é proibida essa entrada, é boa a sua cautela. Numeral também determina: são necessárias duas assinaturas.

O grupo de expressões vai além de é proibido. Entram é necessário, é preciso, é bom, é útil, é conveniente, é permitido e é vedado, todas com o mesmo comportamento duplo. Água é bom para a saúde e a água é boa para a saúde estão as duas dentro da norma, e a diferença está no artigo, não no gosto de quem escreve.

O caso mais visto em prova costuma ser o de é necessário. É necessário paciência para trabalhar com atendimento fica invariável, porque paciência entra como ideia geral. É necessária a paciência de um veterano concorda, porque a paciência ganhou contorno e complemento. O par muda de forma sem mudar de sentido prático.

A cristalização no masculino tem explicação de estrutura. Quando o substantivo chega sem determinante, ele não se comporta como sujeito pleno da oração, e o adjetivo fica sem com quem concordar. A gramática então recorre à forma não marcada, o masculino singular, que é a forma padrão de quem não concorda com ninguém.

A escolha, portanto, não é entre certo e errado na maior parte dos casos. É entre duas construções legítimas com efeitos diferentes: a invariável generaliza a proibição, e a concordada aponta para um caso delimitado. Errado, mesmo, só quando o adjetivo flexiona sem determinante que autorize a flexão.

 

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III  O Teste

Cubra o adjetivo e procure o artigo que sobrou

1. Localize o substantivo logo depois da expressão. Em É proibida entrada de veículos, o substantivo é entrada. Ignore os complementos que vêm atrás dele, porque de veículos, de menores e de pessoas não autorizadas não interferem na concordância.

2. Olhe a palavra imediatamente antes desse substantivo. Se for artigo, pronome ou numeral, a concordância está autorizada e o adjetivo flexiona. Se não houver palavra alguma entre a expressão e o substantivo, o adjetivo fica no masculino singular.

3. Se o aviso já estiver escrito com o adjetivo flexionado e sem determinante, escolha uma das duas correções em vez de discutir a regra: acrescente o artigo ou volte o adjetivo para o masculino. As duas saídas custam o mesmo e as duas estão na norma.

Na prova, o item costuma chegar assim: assinale a alternativa em que a concordância nominal foi respeitada de acordo com a norma padrão. Entre as opções aparecem um aviso de acesso restrito, uma frase com é necessário e outra com é bom, algumas com artigo e outras sem, com os adjetivos distribuídos fora de lugar.

Aplicado às três placas da abertura, o teste resolve em segundos. No portão da obra não há artigo antes de entrada, e proibido no masculino está certo. Na piscina há o artigo a, e proibida flexionado está certo. No galpão não há artigo, e proibida flexionado é o único desvio dos três avisos.

Longe da prova, o teste serve na mesma velocidade em contrato, comunicado interno, etiqueta de produto e mensagem de sistema. Todo texto curto tende a cortar artigo por espaço, e o corte é justamente o gesto que desliga a concordância sem avisar quem escreveu.

A escolha entre as duas formas não é questão de rigor gramatical nem de registro mais culto. O desvio nasce de tratar a concordância como automática, quando ela depende de um determinante que a frase pode ter deixado para trás.

Das três placas de abertura, duas já estavam certas antes de qualquer revisão, e o único aviso defeituoso era o que parecia mais cuidadoso: flexionou o adjetivo para acertar o gênero e apagou o artigo que sustentava a flexão.

Confira antes de mandar imprimir: se existe artigo, pronome ou numeral colado antes do substantivo,
se o adjetivo está flexionado e o determinante sumiu no corte de espaço,
se a frase invariável e a frase concordada dizem o mesmo que o aviso precisa dizer.

"No último aviso que você escreveu, o artigo estava lá para sustentar a concordância, ou foi cortado para caber na linha?"

 
 

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Das três placas descritas na edição (portão de obra, piscina de condomínio e galpão de indústria), qual delas está gramaticalmente errada e precisa de repintura?

AA placa do portão da obra, com "É proibido entrada de pessoas não autorizadas"
BA placa da piscina do condomínio, com "É proibida a entrada de animais"
CA placa do galpão da indústria, com "É proibida entrada de veículos particulares"
DNenhuma das três, as três seguem a norma padrão

Resultado da última edição: 67% acertaram.

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